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TOP 5% PME pelo sexto ano – no ano em que encolhemos de propósito

8 min de leitura

Selo SCORING TOP 5% Melhores PME de Portugal 2026, sexto ano consecutivo, entre fumo, a preto e branco
TOP 5% Melhores PME de Portugal, edição 2026. Sexto ano consecutivo. O certificado foi emitido a 25 de setembro, com base nas contas de 2025.

Chegou há cinco dias. É o sexto ano seguido que a ArrowPlus fica no TOP 5% Melhores PME de Portugal, uma certificação que mede solidez financeira e gestão.

E chega num ano em que a empresa encolheu. Não por acidente: por decisão. É a parte que faz deste artigo uma coisa diferente de um comunicado, e é por aí que vou começar.

Duas distinções que medem coisas diferentes

Em junho escrevi aqui sobre a Empresa Gazela pelo segundo ano seguido. Foi fácil confundir as duas coisas, e não são a mesma: o Gazela mede crescimento e a sua sustentabilidade; este mede boa gestão. São perguntas distintas, e uma empresa pode responder bem a uma e mal à outra.

Uma empresa pode crescer 30% ao ano a financiar-se em crédito caro, a atrasar fornecedores e a queimar tesouraria: cresce, e está frágil. Outra pode não crescer nada e ter as contas equilibradas, capital próprio suficiente e liquidez para aguentar um ano mau. São duas perguntas, e a segunda é a que decide se a empresa ainda cá está para fazer a primeira.

As duas distinções olham para eixos diferentes. Crescer não é o mesmo que aguentar, e é possível estar bem num eixo e mal no outro.
↑ solidez financeirao que o TOP 5% medesólida,mas paradacresce eaguentaa caminhodo fimcrescea créditocrescimento →o que o Gazela mede

A parte que tenho de dizer: esta é paga

E digo-a eu, antes que alguém a diga por mim. O TOP 5% não é um apuramento do Estado: é uma certificação de uma empresa privada, a SCORING, e quem quiser usar o selo paga para o usar.

O que se paga é o direito de o mostrar. Os critérios existem na mesma, e são apertados. A análise é feita sobre a IES – as contas que a empresa entrega ao Estado todos os anos, e que não se escrevem à medida de um selo – e olha para os rácios que dizem se uma empresa se aguenta: autonomia financeira, solvabilidade, liquidez, rentabilidade. Uma empresa com as contas em desordem não compra este selo, porque não chega lá.

E é verificável, o que para mim é o que separa uma distinção de um autocolante: a certificação está no diretório público da SCORING, pesquisável por nome. Procure Darkpurple – é a sociedade que detém a marca ArrowPlus – e confirme[1].

Seis anos, e o que eles contêm

As edições são de 2021 a 2026, e não foram seis anos iguais. No comunicado da primeira distinção Gazela, em maio de 2024, já escrevíamos que a empresa tinha o TOP 5% por três anos consecutivos – 2021, 2022 e 2023. Nessa altura a frase servia para dizer uma coisa: que a casa estava a crescer depressa e a manter-se de pé ao mesmo tempo.

Hoje a mesma frase diz outra. Os três primeiros anos foram de crescimento; os últimos, não. E a certificação manteve-se nos dois cenários, o que só é possível porque ela nunca mediu o crescimento. Foi por isso que escrevi acima que o Gazela e o TOP 5% respondem a perguntas diferentes: em 2025 a resposta à primeira pergunta mudou, e a resposta à segunda não.

É também por isso que uma empresa que se avalia só pelo crescimento tem um problema de leitura. Há anos em que crescer é o trabalho; há anos em que o trabalho é outro, e crescer é o que se adia para o fazer.

Porque é que encolhemos

Agora a parte incómoda, que é a que interessa.

O ano passado foi difícil, e este está a ser. Mas a redução não foi só circunstância: decidimos mudar a estrutura da operação para construir um serviço melhor para quem estuda connosco. Essa mudança implica baixar a faturação durante dois a três anos. Sabíamos disso quando decidimos, e decidimos na mesma.

O que estamos a construir será anunciado em breve. Não vou prometer aqui o que ainda não posso mostrar – já cometi esse erro noutro artigo e correu bem, mas não faço da sorte um método. Digo só isto: se resultar, muda bastante coisa na internet em Portugal.

Entretanto, o selo mede exatamente o que uma empresa nesta situação precisa de ter: se a casa aguenta o período em que se investe mais do que se fatura.

O que “boa gestão” quer dizer, em concreto

Abstrações não interessam a ninguém, portanto os factos.

A empresa não tem dívida. Crescemos sem crédito, e a estrutura que estamos a montar também está a ser paga com dinheiro que entrou. Os fornecedores são pagos no máximo em sete dias – e quem trabalha em Portugal sabe o que é receber a trinta, a sessenta ou a noventa, quando recebe.

E 70% do que gastamos é investimento futuro: tecnologia e estrutura. Não é despesa corrente, não é escritório maior, não é carro melhor. É o que há de ficar cá quando o ano acabar.

Foi isto que fez a diferença num ano de faturação a descer. Uma empresa endividada, a pagar tarde e a gastar o que entra em coisas que desaparecem, não sobrevive a um ano assim – quanto mais ficar no topo de uma lista de solidez.

Há aqui uma coisa que quem investe em imobiliário reconhece de imediato, porque é a mesma disciplina noutro sítio. Um investidor que compra tudo a crédito, no limite do que o banco lhe dá, está a apostar que nada corre mal – nem uma renda em falta, nem uma obra que derrapa, nem um mês de casa vazia. Quem deixa folga aguenta o mês mau e compra o imóvel que aparece quando o outro está a vender à pressa. Gerir uma empresa é a mesma coisa, com outros números. E é essa disciplina que este selo mede.

Porque é que uma empresa online precisa disto

Há uma razão prática, e não a escondo: nós somos uma empresa online. Quem nos conhece não entra num escritório, não aperta a mão a ninguém, não vê a equipa a trabalhar. A relação de confiança não se constrói como no presencial – constrói-se a partir de sinais.

Num universo de mais de um milhão e meio de empresas em Portugal[2], onde qualquer pessoa monta uma página e chama-lhe uma escola, uma distinção verificável é um dos poucos sinais que não se inventam. É por isso que as mantemos, e é por isso que as mostro.

E agora a relativização

Dito tudo isto, convém pôr a coisa no tamanho certo.

Um prémio motiva uma equipa e ajuda-nos a perceber o que estamos a fazer bem – que numa empresa pequena, onde ninguém tem tempo para se avaliar, não é pouco. Mas um prémio não paga uma renda, não constrói um produto e não ensina ninguém a investir.

O que nós queremos mesmo são resultados. E os resultados que contam não são os nossos – são os de quem estuda connosco e compra o primeiro imóvel.

O selo diz que a casa está de pé e bem gerida. É uma condição para fazer o resto, não é o resto. Daqui a seis anos, se alguém me perguntar o que valeu a pena nesta década, não vou responder com uma lista de distinções.

Se quiser aplicar a si a mesma disciplina de que falei acima – saber se um imóvel aguenta um mês mau antes de o comprar –, o simulador de rentabilidade faz-lhe essa conta, com a fonte oficial de cada taxa ligada.

Fontes

  1. Diretório de empresas certificadas. SCORING. scoring.pt. Fonte para a certificação TOP 5% de 2026 da DARKPURPLE, LDA – a sociedade que detém a marca ArrowPlus –, que consta do diretório público com o distrito da Guarda e a atividade de análise de mercados imobiliários. Pesquisável por nome.
  2. Empresas em Portugal – Resultados Definitivos 2023. Instituto Nacional de Estatística, 13 de dezembro de 2024. ine.pt. Fonte para o universo de 1.510.274 empresas não financeiras em Portugal, das quais praticamente todas são pequenas e médias empresas.
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Artur Mariano
Artur Mariano
Co-fundador da ArrowPlus · Investidor em imobiliário há +20 anos

Investidor imobiliário profissional. Começou a investir em REITs com 16 anos e comprou o primeiro imóvel físico com pouco mais de 20 anos. Ao longo de duas décadas, refinou o seu método, entre obras, arrendamentos e vendas. Reconstruiu quase uma centena de prédios. Gere um fundo de investimento imobiliário privado e fechado. Co-fundou a ArrowPlus e ensina investimento imobiliário desde 2017. É autor dos livros “Investir em imobiliário: do 0 ao milhão” e “Independência financeira via imobiliário”. Escreve neste blog sobre tudo o que aprendeu em 20 anos e faz com o próprio dinheiro.